Performance





Subo um altar de intimidade, construído de papel higiénico e convido o público à situação.
Irónicamente um borrifador -activador- mediador, o quotidiano que determina higienização, género, que regula relações de poder.




Vera Sofia Mota apresenta um trabalho performativo, nocturno, mistura a densidade da escuridão total da sala com flashes de luz, e nestas veladuras vão-se desenvolvendo relações íntimas com o espaço, com o movimento e com a pose. No decorrer da sua acção é como se o seu corpoexperimentasse por um lado a sua liberdade mais mundana e quotidiana, e por outro lado a disciplina das formas que parecem vir da gramática da dança clássica. O seu corpo transforma-se em espectro à medida que se aproxima o final da acção e vai ganhando peso, e cadência nesta duplicidade.
A performance de Carlos Farinha é baseada quase unicamente na oralidade, parece estruturar-se a partir de uma ideia de conferencia, conferencia solitária, o artista e o seu publico. Usa-se de um Inglês segundo o mesmo "macarrónico", no sentido que em Marrocos se improvisa bastante à hora de se falar línguas, esta parece ser uma dimensão bastante Portuguesa também.
O Artista fala sobre o seu trabalho criando lapsos de compreensão, se por um lado parece que vai carregar de sentido aquilo que parecia uma burla, por outro esse mesmo sentido desvanece cada vez que é enunciado.
Produz-se uma espécie de anti-tese, se comparar-mos este trabalho com as conferencias acções de Joseph Beuys, nota-se algum pessimismo nesta performance em relação ao deslumbramento, que as Artes, a Performance pareciam ter como conteúdos revolucionários na vida.
Seja como for esta espécie de anti-tese progride com a interacção do publico, desconstruindo o que poderia ser o papel do artista, e acaba por ir construindo, interrogações fortes, sobre o papel da sua presença ali, sobre a sua, a nossa e a passividade do publico.














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